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Mais uma polêmica no âmbito da linguagem - no Rio Grande do Sul professores entregam carta sobre Lei dos Estrangeirismos ao Governador Tarso Genro

Anterior à discussão que gira em torno do livro didático de português Por uma vida melhor, aprovada pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), no Rio Grande do Sul, outra controvérsia veio à tona – a Lei dos Estrangeirismos, aprovada então pela Assembléia Legislativa do RS.

Depois de uma audiência pública com o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, no Palácio do Piratini, último dia 11 de maio, os professores Ana Maria Zilles (UNISINOS) e Pedro Garcez (UFRGS) passaram às mãos do governador uma carta que, de certa forma, expressa aquilo que a academia, na área de Linguística Aplicada, pensa a respeito do projeto de Lei dos Estrangeirismos. O projeto de lei foi apresentado pelo deputado Raul Carrion (PCdoB) e pretendia instituir "a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita”. A pretensa justificativa apresentada para a aprovação de tal lei seria a “ameaça” que a língua portuguesa estaria sofrendo pela invasão e uso excessivo de expressões estrangeiras inseridas no coditidiano do brasileiro.

Sendo assim, a carta entitulada  “Políticas linguísticas para o nosso estado”, no formato de "carta aberta ao governador Tarso Genro", em sua essência, deixa explícita a ideia de que quem determina o que deve ser falado e de que forma são os falantes da língua, afinal não existe língua se não houver falantes. Segundo os professores pesquisadores da área de linguagem Professores Dra. Ana Zilles e Dr. Pedro Garcez, a proposta de lei é equivocada na medida em que as políticas de estado não devem ser centradas no conceito de defesa da língua portuguesa. Os pesquisadores defendem que se deva “substituir a noção de língua como problema pela noção de língua como recurso; e que o eixo central seja a promoção da língua portuguesa”. A carta pode ser lida na íntegra em http://www.unisinos.br/_diversos/ju/carta_aberta_tarso.pdf. Felizmente, o governador Tarso Genro vetou em grande parte o projeto de lei, aprovando apenas o trecho que determina que órgãos públicos devem priorizar a língua portugesa em documentos oficiais, sites e propaganda.

 A referida carta traz noções de linguagem centrais, não só relevantes para o debate sobre o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, mas que também poderão guiar outras discussões como, por exemplo, o que o livro didático de português deve propor para o trabalho em sala de aula. Esse tema está no centro das atenções da mídia e merece um amplo espaço para reflexão por parte do meio acadêmico e da sociedade brasileira.  No entanto, não cabe nem ao Estado, nem a uma camada seleta da sociedade determinar o que é “errado” ou “certo”, ou ainda como os estrangeirismos podem ou não ser inseridos na língua. Quem deve deter o direito de determinar o que e como falar é o próprio usuário da língua, no nosso caso, o falante do português brasileiro. O que deve ser priorizado é o combate ao preconceito linguístico, jamais incentivando a discriminação do registro adotado pelo usuário, que por sua vez assim se comunica na sua comunidade de prática de origem. Como o usuário faz uso de suas escolhas linguísticas e em que contexto, ao falar ou escrever, é sim um dos aspectos no qual a escola deverá ter um papel preponderante, auxiliando o aprendiz a reconhecer os diferentes registros a serem empregados de acordo com o contexto discursivo em questão.

Christine Nicolaides

Professora Adjunta do Departamento de Letras Anglo-Germânicas

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Tesoureira da ALAB, biênio UFRJ 2009-2011

 
CANAL DA ALAB NO YOU TUBE

O canal ALABBRASIL no YouTube - www.youtube.com/alabbrasil - foi criado com o intuito de disponibilizar videos de eventos e ações realizados pela ALAB e por seus associados.

Atualmente o canal conta com videos produzidos durante o IX Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada e com o video apresentado em Beijing, China, por ocasião da candidatura da ALAB para sediar o AILA World Congress, que já tem como destino o Rio de Janeiro em 2017.

No entanto, além de  divulgar os eventos da ALAB, este canal deve constituir um espaço para a divulgação das ações de seus associados tanto na esfera acadêmica quanto na mídia em geral. Logo, videos com a participação de associados em debates, entrevistas, cursos e em outras situações em que abordem questões relevantes no escopo da Linguística Aplicada são bem vindos para incluir no ALABBRASIL.

Desta forma, caso tenham videos que queiram adicionar ao canal, basta enviá-lo para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Esperamos que todos acessem, divulguem e ajudem a fazer deste canal um veículo de divulgação do conhecimento produzido por linguistas aplicados brasileiros.

 

 
Luta pela inclusão do Francês no ENEM

Veja série de documentos com ações da Federação Brasileira de Professores de Francês (FBPF) a respeito da inclusão do Francês no ENEM.

lista de docs anexos dilma rousseff.pdf

carta aberta dilma rousseff.pdf

carta ao inep.pdf

comunicado sobre enem novembro 2011.pdf

encaminhamento das cartas dilma rousseff.pdf

mensagem apfs enem 14 nov.pdf

mocao alab.pdf

 
Livro didático: contribuições de educadores e linguistas aplicados
Após o envio de um e-mail divulgando os posicionamentos da ALAB e ABRALIN em relação à polêmica do livro didático e convidando nossos membros a se pronunciarem a respeito, recebemos algumas contribuições de associados.

Clique nos links para lê-las e divulgá-las.

do dialeto da classe educada.pdf

um bom momento para refletir.pdf

racismo linguistico ou ensino pluralista.pdf

manifesto - circulo educacao linguistica.pdf

 

 

 
ALAB apoia moção para inclusão do francês no ENEM

A Associação de Linguística Aplicada do Brasil em decorrência das discussões ocorridas durante o III Encontro Nacional sobre Políticas de Línguas e Ensino (III ENPLE) apoia a moção dos professores de francês requisitando ao MEC a inclusão da língua francesa no Exame Nacional do Ensino Médio.

Clique aqui e leia a moção

 
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