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Entrevista com o fundador do projeto Queering Paradigms (QP)

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Para ler a entrevista original, em inglês, clique aqui.

Professor associado de Estudos Indo-Tibetanos e leitor em Estudos das Religiões na Canterbury Christ Church University na Inglaterra, Dr. Burkhard Scherer é o fundador do projeto Queering Paradigms (QP), uma série de congressos que viaja de continente a continente e autor de uma coletânea de livros publicada pela editora Peter Lang. Entre 25 e 28 de julho de 2012, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro em parceria irão sediar o quarto congresso internacional Queering Paradigms, que receberá aproximadamente 400 participantes dos quarto cantos do globo em seus campus na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. A ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil) é uma das apoiadoras do projeto, pois acredita que a interdisciplinaridade é crucial para que possamos efetivar mudanças sociais. Em entrevista à ALAB, o prof. Scherer fala dos objetivos do projeto QP, nos explica sua visão do que a Teoria Queer pode fazer na sociedade e fala de suas expectativas para o primeiro congresso QP a ser realizado na América-Latina.

ALAB: Quando o projeto Queering Paradigms foi criado? O que motivou sua criação? Quais sãos os principais objetivos do congresso e da série de livros ligados ao Queering Paradigms?

Burkhard Scherer: Queering Paradigms (QP) é o resultado de um ato de ativismo acadêmico e de desafio. Em 2007-2008, minha universidade – Canterbury Christ Church University, uma fundação anglicana – atraiu atenção nacional ao proibir as cerimônias de parceria civil entre pessoas do mesmo sexo, que são legais na Inglaterra, de serem realizadas em um de seus principais locais para tais eventos, o mosteiro de St. Martin no campus de Canterbury. Tal atitude foi uma violação ultrajante das políticas de igualdade da própria universidade e gerou indignação entre pessoas que se identificam como LGBTIQ do staff da universidade e do corpo discente. Em tempo, a proibição foi condenada pelo Comitê de Direitos Igualitários da universidade e foi desde então revogada (com isso, a universidade desde então a universidade progrediu muito e se tornou um ambiente muito mais amigável para pessoas que se identificam como LGBTIQ).

Durante esse período, eu era membro do Comitê de Oportunidades Igualitárias, representante da Faculdade de Artes e Humanidades. Como um acadêmico que se identifica como queer e como budista, eu decidi manifestar a minha consternação não somente em reuniões, mas também em resposta à homofobia institucional ao organizar o primeiro colóquio interdepartamental de Estudos Queer durante o mês de história LGBT em 2008. Durante esse tempo, eu tentei aumentar a visibilidade queer na academia.  O sucesso desse colóquio, intitulado Que(e)r(y)ing Culture, me trouxe a ideia de um congresso de Estudos Queer internacional. Com o apoio dos/as Gerentes Seniores muito compreensivos e de Moira Mitchell, a dedicada nova coordenadora do Comitê por Igualdade e Diversidade, o primeiro congresso internacional Queering Paradigms aconteceu em fevereiro de 2009; eu editei o primeiro livro da séria Queering Paradigms nesse mesmo ano. Desde então QP se tornou uma série de congressos anuais, uma coleção de livros e uma rede de acadêmicos/as de diversas disciplinas comprometidos/as com o impulso contestador e problematizador ligado aos Estudos Queer.

QP pode ser visto como um projeto de Estudos Queer Aplicados, dedicado a examinar o estado atual e os desafios futuros dos Estudos Queer a partir de uma perspectiva trans-disciplinar ampla e politética que problematiza/questiona diversas agendas sociais, políticas, culturais e acadêmicas. ‘Paradigms” (i.e. paradigmas) se refere às diversas estruturas metodológicas e filosóficas da academia dentro de disciplinas acadêmicas divergentes e convergentes e que fornecem as agendas para pesquisa e para construção do conhecimento nessas disciplinas.

Queering um paradigma significa desafiar pressupostos heteronormativos – assim como homonormativas – de discursos acadêmicos e sociais.

Os congressos QP por si só já estão queering as práticas acadêmicas ao serem pensados como espaços de troca acadêmica genuína onde vozes emergentes e marginalizadas e vozes já bem estabelecidas são ouvidas; pesquisas atuais e de ponta são debatidas e um sentimento de comunidade de apoio de pesquisadores/as é gerado. Recentemente uma participante nos deu o maior elogio que um organizador de congresso pode receber: “O congresso QP restaurou minha crença na academia”. É disso que trata o QP: um desafio a políticas de vaidade acadêmica. Se tomamos queer seriamente, nós temos que contestar/problematizar nosso habitus acadêmico também.

ALAB: De forma bem resumida, o que faz a teoria queer?

BS: Eu entendo queer como uma perspectiva crítica, uma disposição e um impulso de desafiar normatividades. Queer não é uma etiqueta ou uma categoria, não é apenas mais um nome para LGBTIQ. A Teoria Queer perturba discursos sociais, intelectuais, políticos e culturais ao desafiar suposições que os subjazem – suposições principalmente relacionadas a gênero e sexualidade, mas também, e sobretudo, as normatividades que regulam quaisquer aspectos multifacetados e interseccionados da identidade e da expressão corporal. No entanto, para mim, queer não pode simplesmente ser uma atividade de desconstrução sem consequências sociais. A Teoria Queer implica ativismo para justiça social. Ela deve atingir resultados tangíveis.

ALAB: Que tipo de transformação social a Teoria Queer pode provocar?

BS: Queer como uma disposição que incomoda nos obriga a transformar nossas sociedades obcecadas com dualismos essencialistas e binarismos. Assim, a Teoria Queer vai além de simplesmente pedir a aceitação social das variações de gênero e sexualidade. A masculinidade heterossexual é só umas das posições default desafiadas pelo queer. As identidades se sobrepõem e entrecruzem de formas múltiplas: ter um corpo hábil, branco, de classe média, do norte global etc. são outras posições default ou impulsos normalizadores em discursos sociais. Essas posições também são perturbadas pelo queer. Dessa forma, o queer direciona seus olhares críticos a qualquer área onde haja injustiça social. O queer descentraliza normatividades privilegiadas e estruturas de poder, desmarginaliza performances identitárias. O queer celebra a diferença.

ALAB: Como você vê a Teoria queer no eixe de produção de conhecimento Norte-Sul? Em sua opinião, o que o Sul global pode trazer para a Teoria Queer?

BS: As múltiplas vozes do sul global trazem aspectos multifacetados de interseccionalidade identitária. O queer significa coisas diferentes na América Latina e no Reino Unido. Queer como uma disposição se expressa no ativismo social e esse ativismo precisa de agência local. Embora a teoria seja por vezes iconoclástica, suas expressões devem ser pragmáticas. O queer trabalha em contextos concretos e o norte global deve tomar muito cuidado para não impor uma ‘normatividade queer’ sobre o ‘sul’ de forma neo-colonial. O povo do norte terá muitos benefícios se for confrontado com suas normatividades veladas e suas hegemonias binárias. O mais importante, no entanto, é que não devemos transformar o eixo Norte-Sul em mais um binarismo; o ativismo queer depende da vontade dos indivíduos para escutar um ao outro e para questionar seus próprios essencialismos identitários e qualquer discurso hegemônico na sociedade.

ALAB: Como sabemos, a Teoria Queer é um produto do primeiro mundo anglo-saxão, mais especificamente, dos EUA. Em sua opinião, quais são as vantagens e desvantagens de importar uma teoria e um modelo de ativismo produzido no primeiro mundo para o sul global? Essa importação pode modificar substancialmente a agenda queer, se há tal coisa?

BS: Certamente, não pode haver uma ‘agenda queer’! Sendo queer um método, uma forma de contestar, qualquer agenda seria imediatamente questionada. Mas claro que há Direitos Humanos e ativismo para justiça social informados pela teoria queer. QP foi desenvolvido com o objetivo específico de empoderar as perspectivas do sul. As reivindicações por agência vindas do sul global são vitais ao projeto queer a não ser que o queer se torne uma forma de pseudo-ativismo e/ou uma forma do que poderia ser chamado de “masturbação da consciência”. Eu fico incomodado ao ver isso acontecer em ONGs e nas políticas de desenvolvimento. Esse é o motivo pelo qual os congressos QP viajam de continente a continente para que possam ser expostos a e ter impacto sobre novos contextos e condições culturais; é uma jornada de escuta ativa e de aprendizado. Ao mesmo tempo, a organização e a expressão concreta do congresso são sempre baseadas na responsabilidade dos/as acadêmicos/as e apoiadores/as locais. Cada congresso QP tem uma característica local, sem qualquer ‘agenda global’ imposta.

ALAB: Que expectativas o congresso no Brasil traz?

BS: Espero que o QP4 seja um evento pioneiro para a academia latino-americana; QP4 nos fornecerá um impulso para a solidariedade trans-disciplinar na academia e no ativismo com uma agência local. Rodrigo Borba, Elizabeth Sara Lewis e todo o time do QP4 estão fazendo um trabalho inacreditável! Pessoalmente, eu espero ouvir e aprender muito! Embora eu tenha passado bastante tempo na Ásia, essa será minha primeira vez na América do Sul – é muito excitante! Encontrar novos e velhos amigos será maravilhoso; compartilhar e ser inspirado, achar novos caminhos para abordar o queer e escapar da hegemonia do contexto anglo-saxão. No que tange a série de livros QP, QP4 também desafia a hegemonia linguística da língua inglesa por ser tão multilíngue. Estou trabalhando para manter essa característica na série de livros. Acima de tudo, eu vejo o QP4 como uma celebração acadêmica da diversidade e como uma declaração política de desafio anti-hegemônico.

ALAB: O quão relevante é para o projeto QP ter um congresso no Brasil? Que contribuições o Queering Paradigms 4, a ser realizado no Rio de Janeiro, pode trazer para o cenário internacional de teoria e ativismo queer?

BS: As vozes brasileiras e, de modo mais abrangente, latino-americanas merecem mais peso na empreitada queer; ao mesmo tempo, o etos cordial do Queering Paradigms pode dar impulsos à cultura acadêmica regional. Sobretudo, eu estou confiante de que a conferência e as publicações que dela resultarem vão contribuir para desmarginalizar as vozes não-anglo-saxãs nos discursos acadêmicos; QP4 vai abrir novos caminhos para pesquisa e para o ativismo. No nível local e regional, QP4 pode inspirar e encorajar pessoas para traduzir o impulso queer em mudanças pessoais e sociais sustentáveis.

 

Entrevista feita por Rodrigo Borba, Professor pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos organizadores do Queering Paridigms IV.

 
O AILA World Congress 2017 já tem destino: o RIO DE JANEIRO

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Em reunião do Comitê Executivo e Internacional (EBIC) da AILA, realizada no dia 23 de agosto em Beijing, China, a candidatura do Brasil para sediar o 18th World Congress of Applied Linguistics em 2017 foi a escolhida, com uma diferença de três votos em um universo de vinte e quatro.

Finalmente a AILA vai estabelecer diálogos com a LA Latino Americana e, como salientaram renomados linguistas aplicados no vídeo produzido para a apresentação do bid e nas inúmeras trocas de e-mail para elaboração do documento (disponível para leitura no "Espaço dos Associados"), há muito a se aprender neste intercâmbio, e, é claro, muito a se fazer também.

A atual diretoria da ALAB (biênio 2009/2011) deve grande parte da vitória  ao apoio  fundamental da comunidade de linguistas aplicados do Brasil, que aumentaram a representatividade da ALAB, tornando-a suficientemente forte e coesa para enfrentar esse desafio.

Agradecemos imensamente a tod@s pelo apoio!

 

 
IX CBLA atinge objetivos durante sua realização

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Prof. Hilário Bohn é indicado como novo associado honorário da ALAB durante IX CBLA

De 25 a 28 de agosto, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a ALAB realizou o IX Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada com uma intensa e profícua programação, cujo tema foi Linguística Aplicada e Sociedade, envolvendo uma participação de aproximadamente 1000 pessoas. Entre as atividades desenvolvidas houve a conferência de abertura com a INÊS SIGNORINI (UNICAMP), intitulada Voltando à questão da transdisciplinaridade em LA. O congresso contou com outro palestrante brasileiro, PEDRO GARCEZ (UFRGS) com sua fala Produção de conhecimento, uso da linguagem e ensino de língua: desafios para a relação entre linguistas aplicados e sociedade.

No que se referia a palestrantes estrangeiros, apresentaram-se BARBARA SEIDHOFER (University of Viena) com sua conferência Translanguaging via English as a Lingua Franca e CLAIRE KRAMSCH University of California – Berkeley) com Between language and literature: Applied Linguistics.

Além de simpósios, comunicações e pôsteres apresentados por linguistas aplicados de diferentes lugares do cenário nacional durante o evento, questões importantes foram tratadas durante a assembléia geral realizada no dia 27, no auditório do CT, na UFRJ. Depois da prestação de contas da presidência e tesouraria do biênio 2009-2011, foi proposto pela atual presidente, PAULA SZUNDY (UFRJ), e aprovado pela assembléia a moção para sócio honorário em nome de HILÁRIO BOHN, por sua relevante contribuição na área da Linguística Aplicada em mais de 40 anos de atuação.

Durante a assembléia da ALAB, foi ainda eleita a nova diretoria para o biênio 2011-2013, que assumirá a gestão da ALAB a partir de novembro. A chapa eleita, intitulada Consolidação tem como presidente CHRISTINE NICOLAIDES (URFJ), como vice-presidente KLEBER APARECIDO SILVA (Universidade de Brasília), como tesoureiro ROGÉRIO  CASANOVAS TÍLIO (UFRJ) e como secretária CLÁUDIA HILSDORF ROCHA, Universidade Estadual de Campinas.

Conforme também anunciado durante o IX CBLA, A ALAB toma um grande passo ao candidatar-se para hospedar o Congresso Internacional de Linguísticia Aplicada – AILA 2017, no Rio de Janeiro. O Brasil estará sendo representado por PAULA SZUNDY, presidente da ALAB, em Beijing, China, durante The 16th AILA World Congress com o tema Harmony in Diversity: Language, Culture, Society. Caso o Brasil vença, teremos a realização do primeiro AILA na América Latina.

Twitter: https://twitter.com/ixcbla

Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002661061172

Por Christine Nicolaides em 05.08.2011

 
ALAB lançará livro na Academia Brasileira de Letras durante abertura do IX CBLA

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O que significa discutir Linguística Aplicada e Sociedade? Obviamente essa discussão vai muito além da escola, mas o ensino e aprendizagem de línguas no contexto brasileiro é o fio de Ariadne neste livro.

Isso se justifica porque a escola é um dos palcos onde a sociedade se encena em suas contradições e, por isso, onde se expõe. A sociedade quer se ver na escola, mas ao fazê-lo revela nesta as suas feridas e, por isso, pode ser, ela mesma, uma das forças contra as quais os atores escolares precisam travar conflitos.

Se a escola é um lugar de contradições e adversidades, este livro nos ajuda a pensar em questões importantes, tais como: o que significa ensinar línguas na escola de hoje? Qual o papel dos gêneros do discurso/texto nessa tarefa? De que maneira os professores de línguas se percebem na atividade profissional que exercem? Como eles driblam as dificuldades que se apresentam diante de sua ação docente? E como descobrem saídas para garantirem o seu exercício profissional de agentes de letramento?

O livro retrata que, embora determinadas forças políticas queiram promover uma dicotomia entre a sociedade e a escola, hoje em dia, em função do espraiamento das tecnologias digitais, é impossível que estas duas instituições se “ilhem” em si mesmas.

Assim, importantes discussões como as que envolvem a noção de gêneros e sua relação com o ensino, a educação linguística e o trabalho de professores de línguas, as noções de identidades, tecnologias e livro didático podem significar o rompimento dos diques que a sociedade impõem a si e, por consequência, às suas agências de letramento, provocando o desaguamento das práticas sociais de linguagem represadas por forças que entendem que elas não podem adentrar a sala de aula.

Finalmente, este livro mostra que, na área dos estudos linguísticos aplicados, a preocupação com questões já cristalizadas, como a didatização dos gêneros do discurso, a educação linguística e o trabalho do professor dialogam com temas mais emergentes, tais como as relações entre tecnologia, linguagem e educação. Esses temas revelam que a agenda atual da pesquisa em Linguística Aplicada se mostra preocupada em compreender as suas relações com os diversos campos da sociedade.

Julio César Araújo & Kleber Aparecido da Silva

 

 

 


 
Abertura do IX CBLA será na Academia Brasileira de Letras

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Prédio Petit Trianon

No dia 25 de julho do corrente ano acontecerá a abertura do IX Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada na Academia Brasileira de Letras - ABL, Rio de Janeiro, às 18h. Depois da abertura oficial, está prevista a conferência intitulada Contribuições das práticas transdisciplinares de pesquisa em LA com a Linguista Aplicada Profa. Dra. Inês Signori, da UNICAMP. Após a conferência haverá a apresentação do grupo de chorinho Juriti, seguido do lançamento de vários livros na área, além de um coquetel oferecido a todos os participantes.

A abertura do IX CBLA na ABL tem uma importância especial por esta ser um espaço relevante de discussão e fomento para tópicos da área de Letras.

A ABL foi fundada em 20 de julho de 1897 com a finalidade de cultivar a língua e a literatura nacional.  Ela é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta, e 20 sócios correspondentes estrangeiros.

Sobre a história da ABL, no fim do século XIX, Afonso Celso Júnior, ainda no Império, e Medeiros e Albuquerque, já na República, manifestaram votos por uma academia nacional, como a Academia Francesa. O êxito social e literário da Revista Brasileira, de José Veríssimo, daria coesão a um grupo de escritores e, assim, possibilidade à idéia.

Lúcio de Mendonça teve, então, a iniciativa de uma Academia de Letras, sob a égide do Estado, que se escusaria, à última hora, a tal aventura de letrados. Foi fundada então, independentemente, a Academia Brasileira de Letras.

A 20 de julho de 1897, numa sala do Pedagogium, na Rua do Passeio, realizou-se a sessão inaugural, na qual estiveram presentes dezesseis acadêmicos. Fez uma alocução preliminar o presidente Machado de Assis. Rodrigo Otávio, 1º secretário, leu a memória histórica dos atos preparatórios, e o secretário-geral, Joaquim Nabuco, pronunciou o discurso inaugural.

O estatuto da Academia Brasileira de Letras estabelece que para alguém candidatar-se é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário.

Os imortais são escolhidos mediante eleição por escrutínio secreto. Quando um Acadêmico falece, a cadeira é declarada vaga na Sessão de Saudade, e a partir de então os interessados dispõem de um mês para se candidatarem, através de carta enviada ao Presidente. A eleição transcorre três meses após a declaração da vaga.

A posse é marcada de comum acordo entre o novo Acadêmico e o escolhido para recepcioná-lo. De praxe, o vistoso fardão é oferecido pelo Governo do Estado natal do Acadêmico.

Antes da abertura oficial do IX CBLA será oferecido um tour em que os participantes do evento poderão conhecer mais detalhes sobre a instituição. O tour, totalmente gratuito, ocorrerá das 13:30 às 16:30 e somente 50 vagas serão oferecidas. Os interessados deverão reservar sua vaga através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home

Acesso em 20.06.2011.

 

 
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